Histórias da Dona Ulina
Ola! Pode se achegar! O site Dona Ulina tem como objetivo resgatar o gosto pela contação de história. Assim, a cada 15 dias Dona Ulina publicará um conto inédito. Mas, o moço ou a moça que por aqui andar, visitar... poderá encontrar letras de músicas de roda, adivinhações e brincadeiras do tempo do "Ronca".
sábado, 15 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
"... Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira"
Hoje amanheci vestida de uma
saudade de outros. Dias de estudante lá do primário. Uma escola pobre da área
rural do Ceará, onde não me lembro de nenhuma visita do MS. Paulo Freire, e do mesmo modo, desconfio, que as teorias de Piaget não estiveram presentes em nossas cirandas.
Lembro que minha escola não tinha
banheiro, e nós esperávamos a hora do recreio para irmos ao matinho que ficava
no entorno da escola.
Nossa escolinha não tinha
biblioteca, área de lazer e a merenda nem sempre existia, nossos pais ainda
pagavam uma taxinha para que estudássemos.
Mas se Piaget e Paulo Freire,
não foram nos ver naqueles rincões, eu posso dizer que não raro nos visitava Monteiro Lobato, Esopo e irmãos
Grimm. É certo que fui saber seus nomes muitos anos depois, mas suas
histórias nos ajudavam a compreender um
mundo para além do quintal de casa.
Não tivemos ábaco, globo, mapa
mundi e não tinha roda de leitura, tinha a hora de tomar a lição.
Mas digo com orgulho que mesmo
sem esses recursos e sobre o crivo de um tradicionalismo beirando o
autoritarismo, que sou fruto dessa escola, e foi ela que contribuiu para que eu
chegasse ao 4º ano sabendo ler, escrever, multiplicar, dividir, somar,
subtrair, onde fica a região Nordeste e quais os estados que a compõe... E claro
um extremo gosto pela leitura, poesia, e amor por esse País.
Em contrapartida, lembro-me de
minha mãe sempre a dizer: Respeite sua professora, não brigue com o coleguinha,
não pegue nada de ninguém, peça licença, diga obrigada, cadê a lição de casa?
Vá estudar... E claro, lembro-me de minha mãe sempre contando boas e velhas
histórias de Trancoso, que somente muitos anos depois descobri tratar-se de
um escritor português de nome Gonçalo
Fernandes Trancoso.
Digo isso para ratificar que os
problemas estruturais da e na educação brasileira dista de muitos dias atrás. E
mesmo sem clamar o retorno do tradicionalismo e nem o descaso com os direitos
infantes, creio haver aí um elo perdido entre o ensinar e o aprender,
entre o aprender e se encantar pelo aprendizado.
Isso tudo é para dizer obrigada
as minhas professoras da minha escolinha, de duas salas e sem banheiro. De nome
feminino: Escola Maria Aridina Vidal de Andrade, que com sua mágica me ajudaram
a ler escrever e me apaixonar pelo o aprendizado.
Do mesmo modo agradecer minhas
professoras do ensino fundamental e médio, que me apresentaram o fino, o ‘chic’
de nossa cultura. Quando me apresentaram Drummond,
Machado de Assis, José de Alencar, Manoel Bandeira, Clarice Lispector...
que me fizeram conhecer o engenho de José
Lins do Rego. Viajar nos porões de um Navio Negreiro denunciado por Castro
Alves e assim compreender os meandros de
uma história não contada.
tod@s vocês que de alguma forma
ajudaram a me compor, meu muito obrigada!!
Dona Ulina
quinta-feira, 7 de março de 2013
DIA INTERNACIONAL DA MULHER, ENTRE CONQUISTAS E LUTA A IMPUNIDADE E O SANGUE AINDA JORRAM.
Eu talvez esteja mesmo bastante pessimista, porem
creio que não sem razões. Parece que a despeito de todas as lutas e conquistas
de homens e mulheres trabalhadoras desse País, temos assistido patéticos os
rumos que a política brasileira tem tomado. Em nome de uma democracia forjada,
temos visto e assistido a cada dia um inimigo do povo ascender a postos de
estrema relevância no campo dessas conquistas, ou da efetivação de lutas das
minorias. Renan Calheiros, condenado pelo STF, assume a presidência do Senado, Deputado Feliciano, racista e homofóbico, eleito para
Comissão dos Direitos Humanos e o ‘ex-governador de Mato Grosso, Blairo
Maggi (PR), ser eleito para presidir a Comissão de Meio Ambiente. A escolha é,
no mínimo, curiosa, já que Maggi é o maior plantador de soja do Brasil e
durante muitos anos foi apontado pelo movimento socioambiental brasileiro como
um dos principais inimigos do meio ambiente no país, tendo ganho, inclusive, o
famigerado Prêmio Motosserra de Ouro’.para citar apenas alguns dos desmando em
cenário Nacional, pois se descermos aos municípios e Estados encontraremos sem
dúvida, escândalos e absurdos em proporções iguais ou superiores.
Somando-se a isso tudo, temos ainda os dados
sobre a situação da violência contra mulheres, pelos dados mais recentes do
mapa da violência, feito pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, o
Brasil é o 7º país do mundo em assassinatos de mulheres. Esses crimes acontecem
no país inteiro, basta olharmos os noticiários.
Em Alagoas, Gilvanete
Rosendo da Silva, grávida de oito meses, foi espancada com uma barra de
ferro pelo marido. Ela morreu e o bebê vai para adoção. No Rio Grande do Norte,
a advogada Vanessa de Medeiros foi
assassinada a pauladas pelo ex-namorado, o policial militar Gleyson Galvão. Na
última sexta-feira (1º), em um shopping de Brasília, Fernanda Graziele Alves foi morta a facadas pelo ex-companheiro, na
loja onde trabalhava. É claro que para cada um caso de repercussão Nacional,
existem dezenas que nem sequer são investigados.
Só no estado de Alagoas, 1º colocado no ranking
de violência contra mulher, no ultimo ano foram registradas 164 mortes de
mulheres, dessas 110 foram praticadas por arma de fogo, 27 por faca, facão e
enxada, 12 por espancamento, seis por pedradas e pauladas, quatro vítimas de
estrangulamento, uma teve a ossada encontrada, e quatro casos não foram
informados. Destes homicídios, 54 foram praticados na capital alagoana e 105 no
interior do Estado, três ficaram sem informações da localidade.
Ante esse quadro fico perguntado se há de fato o
que se comemorar, ou apenas mais um dia para lutar pela sobrevivência e
dignidade desse e nesse País de democracia e direitos forjados.
Dona Ulina
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Uma história sobre Patos e Marrecas.
Há dias nos quais não se sabe ao
certo o porquê, mas trazido nas asas de algum momento revisitado, damos de
ficar sentado nesse balanço de outros tempos.
Nesta manhã, visitam-me patos e
marrecas.
Havia um tempo em que os patos e as
marrecas eram meus companheiros. Quando tudo se transformava naquele espaço
hostil, típico de um casamento falido, era o grasnar desses bichinhos que me
acudiam.
Às vezes, eu imaginava que, lá do
quintal, eles também percebiam a agonia interna da casa, pois era em momentos
assim que suas sinfonias se tornavam intensas.
Quem já ouviu grasnar, sabe que não
é dos cantos o mais belo. Mais eram meus os seus cantos, seus “prantos”, suas
fomes, e nossas agonias.
Eles me davam canto rouco que me acudiam
do choro infantil e eu os protegia da mão carrasca daqueles que os desejavam
como prato principal de um dia qualquer. Mas, dentre todos, havia uma que para
mim era especial, uma marrequinha de pelo lustroso e negro que eu
carinhosamente chamava de Patolinha. Entre nós havia muita sintonia. Eu a amava
com especial atenção, pois de todos, ela parecia ser a mais frágil e era também
a mais carinhosa comigo. Inocente que eu era naquele tempo, não sabia que por
vezes as relações de quintais também têm lá suas violências. E foi em um dia
que trouxeram ao quintal um pato grande, forte, que descobri que patolinha e eu
éramos tão indefesas as nossas sinas. As dores daquela manhã talhariam minha
alma de uma verdade ímpar, que me parecem ter vestido os anos seguintes da
minha vida. Ainda hoje não sei por que
razão ele bruscamente matou minha companheira de penas lindas. Patolinha foi
talvez, para o além, onde descansam as almas dos patos bons. Aquele que a matou
e também morreu sob a mira de minha fúria há de ter carpido mais que aquela
água quente que lhe arrancaram as penas.
Dessa tristeza primeira, ficou a
lembrança revisitada nessa manhã nem sei por que. Das tantas outras perdas que
assolam minha vida, ficam em dias assim um vazio, uma busca e uma saudade, não
apenas da Patolinha, minha amada marreca de penas lindas, mas de um tempo em
que o quintal e eu éramos plenos, completos, ainda que vez ou outra o grasnar
fosse o apelo de fuga a realidade do meu lar. Nessa manhã cinza de sol nublado,
queria ser criança assustada para ter de volta a fantasia do que já não há.
Dona Ulina
17/09/07
Desassossego
O dia amanheceu tão normal que me deu desassossego,
eu esse galho seco, que nem tombo nem rebroto. Rolando sozinha na cama, dei de
ficar imaginando as distâncias muitas entre mim e o mundo. Não falo de distâncias
Quilometradas, essas, em sua maioria são banidas em minutos longos de estradas.
Refiro-me, as distâncias de almas vivas, que não me socorrem as angustias.
Distância de outro eu infante perdido em alguma
gaveta de mim. Distância de
sorrisos, os sinceros, vindos das alegrias triviais como tomar banho de chuva,
ou andar de bicicleta. Não esse meramente cortês que ponho ou que recebo em
alguns lábios, dias... Tenho fome de mãos, aquelas mesmas que me batiam de havaianas ou tamanco, quero sentir
aquela dor em meu corpo mais uma vez, apenas para me sentir amada, cuidada...
Que se dane o conselho tutelar, uma palmada na minha alma de outro dia, me
soaria como beijo sincero de amor.
Quero o café amargo pela falta do açúcar em casa, a
essa doçura brejeira que só contribui ao diabete.
Quero meus pesadelos de morte, medo e suor na
madrugada e uma voz suave a me dizer, Já passou foi apenas um pesadelo. Mil
vezes o pesadelo que esse sonho de groselha desbotado.
Quero a esperança da vinda em horizontes longos de
janela. Quero mais uma vez, buscar em mim uma esperança adormecida de que os
dias passem céleres e que a vida valha à pena.
Dona Ulina
19/12/2012
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