segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sacizando por aí.


O Saci-pererê: é um dos mais populares personagens do folclore brasileiro - Diz o mito que ele se desloca dentro de redemoinhos de vento, e para captura-lo é necessário jogar uma peneira sobre ele. Após o feito, deve-se tirar o gorro e prender o saci dentro de uma garrafa. Somente desta forma ele irá obedecer seu “proprietário”. 


Com o objetivo de diminuir a importância da comemoração do Halloween no Brasil, foi criado em caráter nacional, em 2005, o Dia do Saci ( 31 de outubro). Uma forma de valorizar mais o folclore nacional, diminuíndo a influência da cultura norte-americana em nosso país.
Mas o que é o Saci Corrida? 
O saci corrida é uma ótima brincadeira para introduzir esse personagem no imaginário infantil, esta consiste em propor uma corrida com uma perna só, bem ao estilo Saci.
Esta corrida aí aconteceu na comunidade Queimadas, situada no município de Poço Redondo-Se.


 



sábado, 28 de abril de 2012


As Duas Velhinhas

Duas velhinhas muito bonitas,
Mariana e
Marina,estão sentadas na varanda:
Marina e Mariana.

Elas usam batas de fitas,
Mariana e
Marina,e penteados de tranças:
Marina e Mariana.

Tomam chocolate, as velhinhas,
Mariana e
Marina,em xícaras de porcelana:
Marina e
Mariana.
Uma diz: "Como a tarde é linda,
não é, Marina?"
A outra diz: "Como as ondas dançam,
não é Mariana?"

"Ontem, eu era pequenina",
diz
Marina.Ontem, nós éramos crianças",
diz
Mariana.
E levam à boca as xicrinhas,
Mariana e
Marina,as xicrinhas de porcelana:
Marina e
Mariana.
Tomam chocolate, as velhinhas,
Mariana e
Marina,em xícaras de porcelana:
Marina e
Mariana.


Cecília Meireles
Do livro: Ou isto ou aquilo

sexta-feira, 27 de abril de 2012


“De saudade não se morre
Sem saudade não se vive
Às vezes sinto saudade
Das saudades que não tive.”

História de Dona Ulina.

Meu nome é Ulina, nome antigo! Assim como eu. Aliais, sou do tempo que os nomes eram estranhos mesmo. Talvez por que era na nossa língua. Naquele  tempo que nome bonito, era Maria, Pedro, João, Izabel...
Hoje, os nomes são modernos, copiado da televisão, e nascem mais Annes, que Ana e mais Peter que Pedro. É a modernidade!
Sou antiga.
No meu tempo, a meninada brincava era na rua, sem ser de rua. A  rua era ao mesmo tempo, o campo de jogar bola,   andar de bicicleta, jogar, bila, como brincar de roda...!
Existia aquele tempo, uma  harmonia entre a rua, nossos pais e nós, e nunca uma bola na janela de um vizinho foi motivo pra delegacia. Uns dois dias de castigo sem bola, e estava tudo em paz.
Tínhamos mais flores que vidraça, e no final da tarde os adultos sentavam nas calçadas para um bate papo. Tempo antigo! Hoje o bate papo é virtual. 
Não tínhamos celulares, ifone, Ipod... Mas nos divertíamos muito e de verdade: Perna de pau, boneco, peteca, amarelinha, cavalo de pau, ciranda, pião, carrapeta, pega-pega, esconde-esconde, boca de forno, cabra cega adivinhação - O que é que é? Que fala sem ter boca e anda sem ter pé? - O que é que é cai em pé e corre deitado?  O que é o que? Quatro em cima de quatro, quatro esperando quatro e quatro não vem? – Judite sempre acertava todas.
Hoje os meninos brincam é no computador, nem sabe o que é uma carrapeta. Não tem mais a rua, nem brincadeira de roda, Isso é antigo.
A rua, agora, quando não é dos carros é o espaço do medo, mas isso é moderno!

Ah! E ainda tinha as histórias de Era uma vez: Trancoso, Carochinha...

Lembro de Dona Iaiá, moça velha, filha de Dona Filó,  que sempre a tardinha, logo após a hora do Ângelo, e todas as crianças rezavam sua Ave Maria, ela  gritava:
- Quem quer história de Trancoso? E era um eu, eu, eu... e logo após se fazia um silencio sepulcral. Pois ela dizia logo: - Com barulho eu não conto. Ai a meninada ia se aninhando a sua volta e depois de tudo quietinho, ela soltava lá de dentro da alma um: Era uma vez... E dava vida a príncipes, princesas, castelos, bruxas e fadas que povoavam nossas imaginações.
É claro, que além de nos divertir, essas histórias ajudavam a construir valores. Quem mente cresce o nariz, quem responde o pai e a mãe, fica com a boca torta. E nós, bobinhos! Acreditávamos. Tempo antigo!

Hoje parece que os meninos já nascem sabendo tudo. Não tem mais fantasia, não sonham, nem brincam! Mas é o preço da modernidade.

É o tempo passou! Estou velha!
Mas a lembrança desse outro tempo me faz feliz, pois posso me debruçar sobre ele e dizer: Eu brinquei, cai, me aranhei, sonhei, mas vivi.

Isso é coisa da antiga mesmo, pode estar pensando você, ou você, ou todos até. Não importa, essa é minha história. Não tenho culpa de ser de outro tempo, como vocês não tem de serem do agora.

Cada tempo é o presente, e por tanto será passado também.

O tempo não volta, mas pode ser revivido. Vem cá você e você também, ajuda Dona Ulina a se rever menina. Nalgum canto de minha mente tem uma cirandinha.