terça-feira, 22 de maio de 2012

Casa da Noite

Era tarde linda! Cheia de sonhos que escorriam pelas calhas. Nelas banhou-se o tempo que veio, chegou de mansinho e depois voltou ao fundo do cosmo. Era uma tarde apenas. Eu, mulher feita, sentada na varanda de um esquecimento de outro dia.
Era passado? Não lembro.
Era saudade!...
E as bicas lavando almas. A minha já tomada pelo o encardido do tempo nem ousei banhar-me, apenas olhava a bica.
Houve um tempo que a bica trazia um frio e eu me aquecia em outros corpos.

Eu própria bica, me escorria em tardes assim.

Hoje, nessa tarde, eu mulher talhada no barro da vida, lapidada pelas dores de outros tempos me faço rocha e deixo que Nix visite-me,  e deixe-me descansar em seus vazios, que também são os meus nessa tarde que breve será noite.

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