O dia amanheceu tão normal que me deu desassossego,
eu esse galho seco, que nem tombo nem rebroto. Rolando sozinha na cama, dei de
ficar imaginando as distâncias muitas entre mim e o mundo. Não falo de distâncias
Quilometradas, essas, em sua maioria são banidas em minutos longos de estradas.
Refiro-me, as distâncias de almas vivas, que não me socorrem as angustias.
Distância de outro eu infante perdido em alguma
gaveta de mim. Distância de
sorrisos, os sinceros, vindos das alegrias triviais como tomar banho de chuva,
ou andar de bicicleta. Não esse meramente cortês que ponho ou que recebo em
alguns lábios, dias... Tenho fome de mãos, aquelas mesmas que me batiam de havaianas ou tamanco, quero sentir
aquela dor em meu corpo mais uma vez, apenas para me sentir amada, cuidada...
Que se dane o conselho tutelar, uma palmada na minha alma de outro dia, me
soaria como beijo sincero de amor.
Quero o café amargo pela falta do açúcar em casa, a
essa doçura brejeira que só contribui ao diabete.
Quero meus pesadelos de morte, medo e suor na
madrugada e uma voz suave a me dizer, Já passou foi apenas um pesadelo. Mil
vezes o pesadelo que esse sonho de groselha desbotado.
Quero a esperança da vinda em horizontes longos de
janela. Quero mais uma vez, buscar em mim uma esperança adormecida de que os
dias passem céleres e que a vida valha à pena.
Dona Ulina
19/12/2012
"Nem tombo e nem rebroto"... Uma voz para ler, sentir, ouvir, rebrotar por aí, nas andanças de Griô.
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