Eu talvez esteja mesmo bastante pessimista, porem
creio que não sem razões. Parece que a despeito de todas as lutas e conquistas
de homens e mulheres trabalhadoras desse País, temos assistido patéticos os
rumos que a política brasileira tem tomado. Em nome de uma democracia forjada,
temos visto e assistido a cada dia um inimigo do povo ascender a postos de
estrema relevância no campo dessas conquistas, ou da efetivação de lutas das
minorias. Renan Calheiros, condenado pelo STF, assume a presidência do Senado, Deputado Feliciano, racista e homofóbico, eleito para
Comissão dos Direitos Humanos e o ‘ex-governador de Mato Grosso, Blairo
Maggi (PR), ser eleito para presidir a Comissão de Meio Ambiente. A escolha é,
no mínimo, curiosa, já que Maggi é o maior plantador de soja do Brasil e
durante muitos anos foi apontado pelo movimento socioambiental brasileiro como
um dos principais inimigos do meio ambiente no país, tendo ganho, inclusive, o
famigerado Prêmio Motosserra de Ouro’.para citar apenas alguns dos desmando em
cenário Nacional, pois se descermos aos municípios e Estados encontraremos sem
dúvida, escândalos e absurdos em proporções iguais ou superiores.
Somando-se a isso tudo, temos ainda os dados
sobre a situação da violência contra mulheres, pelos dados mais recentes do
mapa da violência, feito pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, o
Brasil é o 7º país do mundo em assassinatos de mulheres. Esses crimes acontecem
no país inteiro, basta olharmos os noticiários.
Em Alagoas, Gilvanete
Rosendo da Silva, grávida de oito meses, foi espancada com uma barra de
ferro pelo marido. Ela morreu e o bebê vai para adoção. No Rio Grande do Norte,
a advogada Vanessa de Medeiros foi
assassinada a pauladas pelo ex-namorado, o policial militar Gleyson Galvão. Na
última sexta-feira (1º), em um shopping de Brasília, Fernanda Graziele Alves foi morta a facadas pelo ex-companheiro, na
loja onde trabalhava. É claro que para cada um caso de repercussão Nacional,
existem dezenas que nem sequer são investigados.
Só no estado de Alagoas, 1º colocado no ranking
de violência contra mulher, no ultimo ano foram registradas 164 mortes de
mulheres, dessas 110 foram praticadas por arma de fogo, 27 por faca, facão e
enxada, 12 por espancamento, seis por pedradas e pauladas, quatro vítimas de
estrangulamento, uma teve a ossada encontrada, e quatro casos não foram
informados. Destes homicídios, 54 foram praticados na capital alagoana e 105 no
interior do Estado, três ficaram sem informações da localidade.
Ante esse quadro fico perguntado se há de fato o
que se comemorar, ou apenas mais um dia para lutar pela sobrevivência e
dignidade desse e nesse País de democracia e direitos forjados.
Dona Ulina
